sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Negócios dos chinas

Acabo de chegar de Pequim (ok, cheguei no dia 24 de tarde, isso é fato, mas a garrafa inteira de tequila que sorvi nas festividades não me deixou explanar nada, hic!) e estou bem puta.

Mamãe me deu um dinheirinho para eu torrar no Silk Market e trazer cacarecos chineses pros amigos. Em teoria os 100 dólares virariam um dinheirão para comprar reloginho do Mao, bonequinha chinesa e roupinha estilo Gong Li.

Lógico que funcionaria pra todo mundo. Mas não pra mim.

Olha, não me levem a mal. Eu sei pechinchar. Tá, não sou como minha falecida sogra ou minha energética cunhada - paquistanesas com certeza que transformam oitenta em oito. Vejam bem, meu sangue é meio misturado e a turquice pegou leve.

A questã é que não tenho saco e fibra pra agüentar a chinesada berrando com uma calculadora ao meu lado tentando me convencer que seu produto é a fina flor do artesanato local. Meu fiofó. Quem não sabe que aquela bagulhança é produto de trabalho infantil e aquelas mãozinhas pequenas não tem destreza suficiente para costurar algo decentemente? Os vendedores me puxavam de um lado para o outro, apertavam números absurdos em suas calculadoras e falavam muito próximo ao meu rosto que "very special price for very best friend from England", O bato de alho batendo e eu cada vez mais irritada.

Sim. Amiga inglesa. Americana, canadense, you name it. Tudo menos baxiren (brasileira). Ou seja, olá menina branca com cara de gringa rica, seja bem vinda ao meu estabelecimento, vou arrancar sua pele e fazer você pagar uma fortuna.

Fizeram.

Porque eu queria uma bonequinha de uma dan (a figura feminina da ópera chinesa) ao melhor estilo Mei Lanfang. Custou 180 RMB (quem tiver saco de converter isso no XE Currency me diga como fui trouxa). E um casaco de inverno preto com nós chineses. Bosta. Encontrei e era como queria.

Ou seja: a economia chinesa, mesmo em tempos de crise global, deu um salto com a minha visita. Maldita pele branca e nariz arrebitado!

Saí do recinto batendo os pés e me enfiei no odioso Starbucks. Quando reencontrei meus colegas não preciso nem dizer que eles pagaram muito menos do que eu. Dois indianos, uma ganense e uma filipina. Ainda fizeram chacota da minha pataquada.

Negócio da China my ass. Agora compro tudo no aeroporto. Mesmo que seja tão caro quanto, ao menos o preço é fixo... Detesto essa história de "oi, cara de inglesa, você paga mais porque é branca de nariz arrebitado".

E você, caro leitor, se estiver na China a passeio saiba bem que, caso visite esses centros de compra, recomendo que leve seu tacape e cocar e apito. Prefiro investir minha diária nos ingressos da Ópera de Pequim. Ah, sim, cultura, bendita. Sou nerd, perdi "Red Cliff" porque os ingressos estavam esgotados.

Duuuh.

Escreverei 100 vezes no quadro negro que "ao visitar Pequim, devo comprar ingressos para a ópera com certa antecedência" e 500 vezes "Silk Market meu cu".

3 comentários:

Ants disse...

liba,
abandonei meu blog tal qual um pai desnaturado (a esta altura, o cabeça errada deve estar fazendo malabarismo num farol ou coisa pior na febem), e abandonei também minha leitura diária de blogs alheios. como estou trabalhando (coçando) de plantão uó de natal, resolvi dar uma circulada por aí, e ainda bem que parei aqui. tou lendo todos os seus posts e rindo que nem um retardado. enfim, obrigado, favoritando de novo.
bjocas

Cidiane disse...

ESSES CHINAS SÃO UMAS PESTES! SÃO OS COMUNISTAS MAIS CAPITALISTAS QUE CONHEÇO...

SUCESSOO ADORO SEU BLOG!!

Alexandre Lucas disse...

O que esperar de um povo que popularizou a pirataria?

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